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Óptica



Parte da física que estuda a luz, forma de energia que pode ser definida como uma onda eletromagnética ou como um fluxo de partículas (fótons).

Isto porquê, ora comportar-se como uma onda, ora comporta-se como partícula. Este comportamento duplo é conhecido como comportamento duplo (quem diria, não ?).



Meios de propagação


A luz pode se propagar através de meios

Transparentes

Permitem que a luz passe sem sofrer desvios e uma nítida visualização dos objetos vistos através dele, exemplo, ar.









Translúcidos

Provocam desvios nos raios de luz e a consequente perda de nitidez nos objetos vistos através dele, exemplo, box do banheiro.









Opacos

Não permitem a passagem da luz, exemplos, madeira, parede etc.









Princípios da óptica


A luz obedece aos seguintes princípios

Independência

Dois ou mais raios de luz podem se cruzar sem que um altere o trajeto do outro







Propagação retilínea

Em meios homogêneos e transparentes, a luz se propaga em linha reta






Reversibilidade

O trajeto que a luz faz para ir do ponto B para o A, é exatamente igual ao trajeto feito pela a luz de A para B, ou seja, o trajeto de volta é igual ao trajeto de ida









Fenômenos luminosos


Reflexão

Ao incidir sobre uma superfície a luz retorna ao meio de origem. Há dois tipos de relfexão
  • reflexão regular ou especular
  • reflexão irregular ou difusa


Reflexão regular: os raios de luz incidem paralelos uns aos outros em uma superfície refletora e continuam paralelos após a reflexão




Reflexão irregular: os raios de luz incidem paralelos uns aos outros em uma superfície refletora, contudo, refletem em diversas direções devido a irregularidades na superfície (você vai entender mais pra frente).




Leis da reflexão
  1. os raios incidente e refletido e a reta normal estão sempre no mesmo plano
  2. o ângulo de incidência é igual ao de reflexão, sempre.
    Ângulo de incidência: ângulo entre o raio incidente e a reta normal.

    Ângulo de reflexão: ângulo entre o raio refletido e a reta normal



    i: ângulo de incidência
    r: ângulo de reflexão
    n: reta normal
    i = r
Observação: as duas leis se aplicam tanto para a reflexão regular como para a reflexão difusa





Reta normal: reta que forma um ângulo de 90 graus com a superfície refletora.

Observação: a reta normal precisa formar um ângulo de 90 graus com a superfície, isto não quer dizer que ela é uma linha na vertical, exemplos









Com isso pode-se entender porque ao incidir sobre uma superfície irregular a luz reflete em diferentes direções e não viola a segunda lei da reflexão, porque os ângulos formados entre os raios de luz incidentes e as retas normais não precisam não ser iguais, cada raio incide na superfície com um ângulo diferente do outro portanto refletem com ângulos diferentes.



A luz incidente está em azul e são todas paralelas, a luz refletida está em verde.






Absorção

A luz não é refletida nem refratada, ela é absorvida.



A refração será discutida na parte 2.

Os 3 fenômenos podem ocorrer concomitantemente sobre uma mesma superfície.






Mas você já se perguntou daonde vem a luz? Quem ou o que a cria? Vejamos agora as


Fontes de luz


Existem 2 tipos de fontes de luz
  • primárias
  • secundárias

Fontes primárias: emitem luz própria, exemplos, Sol, chama de vela, lâmpada etc

Fontes secundárias: refletem parte da luz que recebem, exemplos, Lua, pessoas, carros etc.


É a luz emitida pelos objetos, seja luz própria ou refletida, que nos permite vê-los. Considere uma vela









a chama emite luz própria em muitas direções









alguns desses raios de luz penetram no nosso olho (a bem da simplicidade a ilustração exibe apenas um dos raios)









a base da vela, por reflexão, também emite luz em diversas direções









Alguns desses raios penetram no nosso olho (novamente a ilustração exibe apenas um dos raios). Ao adentrarem no olho, os raios luminosos atingem a retina, onde a imagem é formada




As imagens e a explicação acima estão resumidas e simplificadas.






Note que: 1º) a imagem formada está de cabeça para baixo[1] e é menor que o objeto   2º) o cruzamento dos raios formou dois triângulos T1 e T2




A razão entre a altura da imagem (h’) e a altura do objeto (h) é igual a razão da altura de T2 (p’) pela altura de T1 (p), h’/h = p’/p.
ɑ: ângulo entre os raios de luz, conhecido como ângulo visual.



Com isso dá para entendermos como ocorrem os eclipses:

Eclipse lunar: ocorre quando a Lua é ocultada total ou parcialmente pela Terra. Acontece quando a Terra fica entre o Sol e a Lua escondendo-a.









Eclipse solar: ocorre quando a Lua fica entre o Sol e a Terra



[1]: A luz captada na retina é transformada em impulsos nervosos que são enviados ao cérebro e este é responsável por interpretá-los e “deixar a imagem em pé”.





Aproveitando o encejo, já que mencionamos os objetos que refletem a luz dos outros vamos aproveitar para falar sobre


Espelhos


Saõ superfícies que refletem grande parte da luz que incide sobre ela, que podem ser classificados em
  • planos
  • esféricos


Imagens formadas por espelhos planos


Imagem de um corpo de dimensões desprezíveis (um ponto)
Um corpo pontual emite luz na direção do espelho









a imagem do ponto (ponto imagem) é obtida prolongando os raios de luz




como a imagem é obtida pelo prolongamento dos raios, diz-se que ela é virtual.



Imagem virtual formada por prolongamentos de raios de luz
d: distância do pronto ao espelho
d’: distância da imagem ao espelho
d = d’, sempre

Atenção: não há luz na parte de trás do espelho. Prolongamentos de raios de luz NÃO são luz.





Imagem de um corpo extenso
Considere um corpo de altura h







A altura da imagem é igual a altura do corpo




A orientação da imagem é igual a orientação do corpo (o boneco e a imagem estão em pé), portanto diz-se que a imagem é direita (se o boneco estivesse de cabeça para baixo a imagem também estaria).

Se o boneco levantar a mão direita a imagem levantará a esquerda, portanto o boneco e a imagem são simétricos.

Resumindo, a imagem é virtual, direita e simétrica e tem o mesmo tamanho do objeto.

Caso o espelho se afaste/aproxime uma distância L do objeto com uma velocidade v, a imagem irá se afastar/aproximar uma distância 2L com uma velocidade 2v. Contudo eu devo alertar-lhe, que no final das contas as distâncias do objeto ao espelho e da image ao espelho são iguais.

As velocidades do espelho e da imagem são medidas em relação ao objeto.


Exemplo, uma pessoa está a 1 metro de um espelho P (sua imagem também)









P será deslocado 1 metro para trás com uma velocidade de 1m/s (P se afasta do objeto com uma velocidade de 1 m/s)









se antes, a pessoa e o espelho estavam separados por 1 metro, agora a distância entre eles será de 2 metros









A imagem será deslocada 2 metros para trás da sua posição original com uma velocidade de 2m/s (a imagem se afasta do objeto com uma velocidade de 2 m/s) , assim, a distância entre a imagem e o espelho será de 2 metros (o dobro do deslocamento de P) e assim a distância entre a imagem e o espelho é igual a distância entre o objeto e o espelho.




Este tipo de movimentação do espelho é conhecida como translação.





Agora considere o raio de luz quem se diz sobre um espelho








se o espelho sofre uma rotação de ɑ graus, o raio refletido sofre uma rotação de 2ɑ



Δ: ângulo de rotação do raio refletido, formado pelos prolongamentos do antigo raio refletido (em roxo) e do novo raio refletido (em verde), Δ = 2ɑ.





Associação de dois espelhos planos
Dois espelhos planos cujas superfícies refletoras formam um ângulo ɑ entre si, formam \(n = \large{ {360} \over {\alpha} } \small{-1}\) imagens de um objeto colocado entre eles.




Se houver mais de um objeto entre os espelhos cada um deles formará \(n = \large{ {360} \over {\alpha} } \small{-1}\) imagens.

O que foi discutido até agora sobre translação, rotação e associação, serve apenas para espelhos planos.





Espelhos esféricos


São espelhos curvos, comumente representado como um arco de um círculo. Existem 2 tipos
  • côncavo
  • convexo


Côncavo: a superfície refletora é o lado interno do arco







Convexo: a superfície refletora é o lado externo do arco





Elementos dos espelhos esféricos

Os espelhos esféricos (convexos e côncavos) possuem os seguintes elementos: centro, foco principal, vértice e raio



c: centro (de curvatura)
R: raio (de curvatura), distância entre o vértice e o centro passando pelo foco
f: foco, f = R/2
v: vértice

Observação: note que o centro e o foco ficam atrás do espelho convexo, é assim mesmo.




Cada um dos elementos possui uma característica particular veja

centro: todos os raios de luz que passam pelo ou que se dirigem ao centro refletem-se sobre si mesmos.








foco principal: todos os raios de luz que passam pelo ou que se dirigem ao foco refletem-se paralelamente ao eixo principal.



Pelo princípio da reversibilidade, pode-se dizer que todo o raio que incide paralelamente ao eixo principal, reflete-se passando pelo foco.






vértice: todos os raios de luz que Incidem no vértice, refletem-se de tal modo que o ângulo formado entre o raio refletido e o eixo principal é igual ao ângulo formado pelo raio incidente e o eixo.








Formação de imagens no espelho côncavo

objeto antes do centro: para construir a imagem são necessários apenas dois raios de luz que saem do topo do objeto. Um dos raios paralelo ao eixo principal e o outro passando pelo foco.



O ponto onde os raios refletidos se cruzam é onde a imagem será formada.

Ela está invertida e é menor que o objeto.

É considerada também como uma imagem real, pois foi formada pelo cruzamento de dois raios (diferentemente dos espelhos planos, onde as imagens são formadas pelos prolongamentos dos raios).

É importante notar também que ela está entre o centro e o foco.

A imagem é real, invertida e menor que o objeto.







objeto no centro: semelhante ao caso acima, dois raios de luz saindo do topo do objeto, um dos raios paralelo ao eixo principal e o outro passando pelo foco.



A imagem é formada no centro.

A imagem é real, invertida e de mesmo tamanho do objeto.







objeto entre o centro e o foco: dois raios de luz saindo do topo do objeto, um dos raios paralelo ao eixo principal e o outro passando pelo foco



A imagem é formada à esquerda do centro.

A imagem é real, invertida e maior que o objeto.







objeto no foco: dois raios de luz saindo do topo do objeto, um dos raios paralelo ao eixo principal e o outro atingindo o vértice



Como os raios refletidos são paralelos eles não se cruzam e a imagem não é formada.

Esta imagem é conhecida como imagem imprópria.







objeto entre o foco e o vértice: dois raios de luz saindo do topo do objeto, um dos raios paralelo ao eixo principal e o outro atingindo o vértice









prolongando os raios refletidos a imagem se forma atrás do espelho



A imagem é virtual (porque foi formada pelos prolongamentos dos raios), direita (tanto a imagem como o boneco estão em pé) e maior.






Formação de imagens no espelho convexo
Felizmente há apenas um caso (a distância do objeto ao espelho é irrelevante).
Dois raios de luz saindo do topo do objeto, um dos raios paralelo ao eixo principal e o outro atingindo o vértice








prolongando os raios refletidos a imagem se forma atrás do espelho



A imagem é virtual, direita e menor. E está entre o vértice e o foco.




As distâncias do objeto e da imagem ao espelho, bem como a altura deles, guardam relações entre si que podem ser expressas pela equação de Gauss
dido = fdi +fdo (é muito comum também encontrá-la escrita na forma de fração) \(\bbox[5px, border: 2px solid blue]{ \large{ {1} \over {f} } \small{=}\; \large{ { {1} \over {d_{i} } }\; {\small{+}} { { {1} \over {d_{o} } } } } }\)
di: distância entre a imagem e o espelho, é muito comum representá-la com a letra p’ (p linha)
do: distância entre o objeto e o espelho, é muito comum representá-la com a letra p
f: distância entre o foco e o espelho (distância focal)



Se di > 0, a imagem é real, se di < 0 a imagem é virtual.
Se do > 0, o objeto é real, se do < 0 o objeto é virtual.
Se f > 0, o espelho é côncavo, se f < 0 o espelho é convexo.


Ilustração






Tem-se também que \(\bbox[5px, border: 2px solid blue]{ A = { {h_{i} } \over {h_{o} } } = -{ {d_{i} } \over {d_{o} } } }\)
A: aumento linear ou transversal da imagem
hi: altura da imagem
ho: altura do objeto
di e do: definidos acima



Se a imagem estiver para cima hi > 0, se ela estiver para baixo hi < 0.

Se |A| < 1 a imagem é menor que o objeto, se |A| = 1 a imagem tem o mesmo tamanho do objeto, se |A| > 1 a imagem é maior que o objeto.

As fórmulas e regras acima servem para espelhos convexos e côncavos.

Parte 2


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